Declaração de Sua Excelência, Ahmet Davutoğlu, Primeiro Ministro da República da Turquia, sobre os Otomanos Arménios que perderam a vida nos últimos anos do Império Otomano
Declaração de Sua Excelência, Ahmet Davutoğlu, Primeiro Ministro da República da Turquia, sobre os Otomanos Arménios que perderam a vida nos últimos anos do Império Otomano
Nos últimos anos do Império Otomano, um enorme número de cidadãos Otomanos de diferentes origens étnicas e religiosas, suportaram grandes sofrimentos, que deixaram nas suas memórias profundas cicatrizes. Durante séculos todos haviam vivido em paz e harmonia.
Sendo descendentes de nações com diferentes origens étnicas e religiosas, e tendo no contexto da Primeira Guerra Mundial, suportado tais sofrimentos, compreendemos o que os arménios sentem. Recordamos com respeito, os inocentes arménios Otomanos que perderam a vida e expressamos o nosso profundo pesar aos seus descendentes.
Para a Turquia é um dever histórico e humano preservar a memória dos Arménios Otomanos e o património cultural arménio.
Tendo isto em mente, no dia 24 de Abril, o Patriarcado Arménio realizará uma cerimónia religiosa e os Arménios Otomanos serão recordados na Turquia, assim como em todo o mundo.
Este dia, tería um maior significado se a Turquia e a Arménia, juntos, fossem capazes de recordar os Arménios Otomanos numa cerimónia conjunta que sería benéfica a ambas as nações, tal como afirmou o Senhor Presidente Recep Tayyip Erdoğan, enquanto Primeiro Ministro, na sua mensagem de 23 de Abril de 2014.
Acreditamos que um resultado positivo e responsável poderá ser alcançado quando a história deixar de ser manipulada para fins políticos.
A antiga civilização Anatoliana ensina-nos a defender a nossa história, a recordar as nossas alegrias e as nossas dores, para colectivamente sararmos as nossas feridas e juntos olharmos o futuro.
Como referi na minha mensagem de 20 de Janeiro de 2015, por ocasião do aniversário da morte de Hrant Dink, “duas antigas nações podem demonstrar sabedoria, e se compreenderem, para contemplarem o futuro juntos”.
Como consequência das nossas responsabilidades históricas e do nosso dever humano, e sem qualquer distinção entre aqueles sofreram, com respeito recordamos, hoje, todos aqueles que perderam as suas vidas nos eventos ocorridos há um século atrás.
Por outro lado, acreditamos que para atenuar o sofrimento constante, é tão importante enfrentar o passado com honestidade, como relembrar os mortos.
É possível determinar as causas e os responsáveis pelo que aconteceu na Primeira Guerra Mundial.
No entanto, atribuir toda a culpa - através de generalizações - à nação Turca, reduzindo tudo a uma palavra e agravando-a com um discurso de ódio, é algo problemático tanto a nível moral como legal.
As cicatrizes deixadas pelo exílio e pelos massacres a que Turcos e Otomanos Muçulmanos foram sujeitos há um século atrás, ainda hoje continuam presentes na nossa memória.
Ignorar esta realidade e descriminar sofrimentos é, em termos históricos, tão questionável quanto moralmente errado.
De facto, os últimos anos demonstraram que nada pode ser alcançado por imposição de narrativas conflituosas, uma após outra.
Neste contexto, as memórias e as convicções de todos os cidadãos Otomanos devem ser ouvidas e respeitadas.
Para se chegar à verdade, basta apenas uma memória justa, empatia, linguagem respeitosa e uma perspectiva razoável e objectiva para encarar as coisas.
Na Turquia, cada ponto de vista é livremente expresso e abertamente debatido. Documentos e fontes de informação podem ser investigados. Ao disponibilizar esses meios, a Turquia está a dar passos importantes e positivos para a criação de um futuro comum.
Como descendentes de dois povos antigos que há cem anos partilharam o mesmo destino, na alegria e na tristeza, hoje a nossa responsabilidade comum e chamada de atenção é para a cura das feridas centenárias e para o restabelecer, uma vez mais, dos nossos laços humanos.
A Turquia não ficará indiferente perante esta responsabilidade e continuará a envidar todos os esforços pela paz e a amizade.
Como tal, apelamos a terceiros para adoptarem uma postura baseada numa memória justa e num futuro comum, em paz, ao invés de agravar velhas feridas.
É com estes sentimentos e pensamentos que mais uma vez recordamos, com profundo respeito, os Otomanos Arménios que perderam a vida durante a deslocalização de 1915, e partilhamos a dor dos seus filhos e netos.
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